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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Que sociedade estamos construindo? As escolhas que merecem reflexão.

Por Redação Ósculo BR

consequencia de sua decisão
As escolhas de hoje moldam a sociedade de amanhã. Que futuro estamos construindo para as próximas gerações?

Atualmente, as escolhas pessoais e seus impactos na vida em sociedade são temas de debate. A ideia de que cada pessoa pode decidir sobre a própria vida ganhou força, mas uma pergunta precisa acompanhar essa discussão: até que ponto nossas escolhas afetam apenas a nós mesmos?

O aborto envolve uma vida em desenvolvimento. O uso de drogas pode causar danos à saúde, prejudicar o desempenho no trabalho e gerar conflitos que afetam a convivência e a estabilidade familiar. A exposição precoce a conteúdos sexuais pode confundir crianças que ainda estão formando sua compreensão sobre o mundo. A violência, o abandono e a falta de responsabilidade também deixam marcas que podem atravessar gerações.

Não se trata de condenar pessoas que enfrentam situações difíceis, nem de afirmar que todos terão o mesmo destino. Trata-se de reconhecer que certas decisões podem produzir consequências graves e que uma sociedade responsável não deveria tratar esses riscos como se fossem insignificantes.

O objetivo deste artigo é refletir sobre o tipo de sociedade que estamos construindo e sobre o preço que podemos pagar quando a liberdade é discutida sem a mesma atenção à responsabilidade.

1. Aborto: escolhas pessoais e reflexões sobre a vida. 

O aborto é um dos temas mais delicados da sociedade porque envolve a autonomia da mulher, a saúde, as circunstâncias da gravidez e o valor atribuído à vida humana em desenvolvimento. Mesmo diante de opiniões diferentes, é importante reconhecer que esse tema envolve questões sérias e possíveis consequências que merecem ser consideradas.

A gravidez pode acontecer em circunstâncias difíceis. Existem mulheres que enfrentam abandono, violência, dificuldades financeiras ou falta de apoio. Em alguns casos, a gestação pode apresentar problemas que comprometem a saúde da mulher.  Cada caso tem sua realidade, e não seria justo presumir que todas as mulheres enfrentam as mesmas condições ou dispõem das mesmas alternativas.

Ao mesmo tempo, é importante discutir a prevenção. Informação, acesso a métodos contraceptivos, planejamento familiar e responsabilidade nas relações sexuais podem reduzir o número de gestações não planejadas. Por isso, a prevenção merece atenção, pois, com o início de uma gestação, podem surgir questões relacionadas à saúde, ao bem-estar emocional, aos valores pessoais e às circunstâncias médicas que exigem uma análise cuidadosa.

Sob a perspectiva da biologia, as primeiras fases do desenvolvimento ocorrem desde o começo da gravidez . Ao longo das semanas, formam-se estruturas e órgãos, e o sistema nervoso passa por um processo gradual de amadurecimento.As capacidades do embrião ou do feto se modificam ao longo da gestação e não correspondem, em todas as fases, às de uma criança que já nasceu. O desenvolvimento humano passa por diferentes fases, cada uma com suas características, que precisam ser compreendidas com cuidado e sem conclusões precipitadas.

Ao abordar a dor e a consciência do feto, é fundamental considerar as evidências científicas com cautela.Os movimentos fetais e as respostas a estímulos, isoladamente, não comprovam que o feto tenha consciência da dor. Uma análise publicada pelo Royal College of Obstetricians and Gynaecologists aponta que a percepção consciente da dor provavelmente só se torna possível por volta da 24ª semana de gravidez. Essa informação ajuda a esclarecer o debate, embora não resolva, sozinha, as questões éticas sobre o valor da vida.

E quanto à mulher? As consequências emocionais de um aborto variam. Algumas sentem alívio; outras experimentam tristeza, culpa, luto ou sentimentos contraditórios. Não é correto afirmar que todas desenvolverão problemas psicológicos, mas também não é justo ignorar quem sofre ou precisa de apoio. As circunstâncias da gravidez, a saúde mental anterior e o suporte recebido podem influenciar a experiência.

O aborto também apresenta riscos médicos, embora eles dependam do método, do tempo de gestação e da qualidade do atendimento.A realização desses procedimentos em condições inadequadas pode provocar hemorragias, infecções graves e outras complicações que, em situações extremas, podem levar à morte. O Ministério da Saúde reconhece que as complicações de abortos inseguros constituem um problema de saúde pública.

Por isso, o debate não deveria se resumir a tratar o aborto como uma decisão sem importância ou a julgar todas as mulheres da mesma maneira. É possível defender a prevenção, o apoio às gestantes e a reflexão ética sem ignorar as situações de violência e risco à saúde.

Diante dessa realidade, vale refletir: temos oferecido informação e prevenção adequadas, acolhimento às mulheres que enfrentam dificuldades e espaço para discutir com responsabilidade as questões relacionadas à vida em formação?

Fontes: Ministério da Saúde — Interrupção gestacional prevista em lei | RCOG — Desenvolvimento da percepção fetal.

2. Drogas: quando a busca pelo prazer pode custar a liberdade e a vida

O uso de drogas mostra como uma escolha pessoal pode, em certas situações, levar à perda da autonomia e ao desenvolvimento de uma dependência. Uma pessoa pode começar por curiosidade, para acompanhar amigos, aliviar a ansiedade ou tentar esquecer os problemas. O que parece uma experiência passageira pode, em alguns casos, transformar-se em um problema que afeta a saúde, os estudos, o trabalho e toda a família.

As drogas não produzem os mesmos efeitos. Algumas podem causar dependência intensa; outras afetam a memória, a atenção, o julgamento e a coordenação. O risco depende da substância, da frequência de uso, da quantidade, da idade e das condições de cada pessoa. Mas minimizar esses riscos pode levar alguém a experimentar sem compreender o que está em jogo.

A cannabis pode interferir em capacidades cognitivas essenciais, como lembrar informações, assimilar novos conhecimentos, manter o foco e avaliar situações antes de tomar decisões.O cérebro ainda passa por mudanças importantes durante a adolescência e o começo da vida adulta. Por isso, o contato com drogas nesse período pode afetar seu desenvolvimento, especialmente quando o consumo começa muito cedo e se repete com regularidade.

O uso de drogas pode levar algumas pessoas a desenvolver dependência, enfrentar dificuldades nos estudos, sofrer alterações na saúde mental e ter problemas nas atividades do dia a dia. A substância utilizada influencia os efeitos do consumo, que podem incluir intoxicações graves, alterações no comportamento, prejuízos à saúde física e em alguns casos levar à morte.

Quando o uso de drogas se torna problemático, suas consequências podem atingir várias dimensões da vida, como o trabalho, os estudos e as relações familiares. Isso não quer dizer que todas as pessoas que consomem drogas sejam irresponsáveis ou violentas. No entanto, quando a dependência passa a ocupar um lugar central na rotina, pode ficar mais difícil cumprir responsabilidades, organizar as finanças, cuidar dos filhos e manter relacionamentos saudáveis.

É nesse momento que o problema deixa de afetar somente quem consome. Pais sofrem ao ver os filhos adoecerem. Crianças podem crescer em ambientes marcados por instabilidade. Companheiros assumem responsabilidades sozinhos. Muitas famílias acabam utilizando parte de seus recursos para apoiar pessoas que necessitam, em diversos casos, de acompanhamento profissional e tratamento especializado.

Também existe a relação entre o mercado ilegal de drogas e a violência. O tráfico movimenta dinheiro, disputa territórios e pode alimentar ameaças, extorsões, recrutamento de jovens e conflitos armados. Isso não quer dizer que todas as pessoas que usam drogas estejam envolvidas em crimes violentos, mas evidencia que o comércio ilegal pode gerar consequências que ultrapassam o indivíduo e afetam toda a sociedade.

Na Bahia, essa questão também representa motivo de preocupação e merece atenção. Uma pesquisa do DataSenado realizada em 2024 identificou o tráfico e o uso de drogas como a principal preocupação relacionada à segurança nas cidades para 42% dos entrevistados baianos. Embora esse número não confirme um avanço do tráfico em todas as localidades, ele evidencia como essa questão continua sendo uma preocupação relevante e afetando a realidade de muitas pessoas.

Precisamos, portanto, de prevenção, tratamento, apoio às famílias, oportunidades para os jovens e ações eficazes contra organizações criminosas. Quem sofre com dependência precisa de cuidado, não de humilhação. Ao mesmo tempo, a sociedade não deve apresentar as drogas como se fossem uma aventura sem consequências.

Que sociedade teremos amanhã se os jovens de hoje subestimarem os perigos das drogas, sem perceber que suas escolhas podem afetar a saúde, fragilizar os vínculos familiares e comprometer a liberdade que tanto valorizam?

Fontes: CDC — Cannabis e saúde cerebral | DataSenado — Panorama político na Bahia, 2024.

3. Crianças, sexualidade e a responsabilidade dos adultos

A infância é uma fase de descobertas. É nesse período que crianças começam a compreender o próprio corpo, os sentimentos, as relações familiares e as regras de convivência. Dessa forma, a abordagem utilizada pelos adultos ao introduzir certos temas exerce uma influência fundamental.

Educação sexual, orientação sobre segurança e conversas sobre diferenças entre as pessoas não são a mesma coisa que expor crianças a conteúdos sexuais explícitos. É fundamental distinguir essas situações.

A infância exige um aprendizado acessível e próprio para cada fase, mostrando que o próprio corpo é inviolável, que o desconforto deve ser expressado e que a ajuda de um adulto seguro precisa ser buscada em momentos impróprios. Durante a fase adolescente, novos conteúdos e orientações podem ser apresentados progressivamente, respeitando a maturidade e a realidade vivida por cada jovem.

O problema aparece quando os conteúdos não respeitam a maturidade da criança, quando são apresentados sem contexto ou quando a escola e a família deixam de dialogar. Os mais novos não dispõem do mesmo discernimento observado na fase adulta. Expor dados elaborados sem a devida cautela corre o risco de provocar desorientação, incômodo e questionamentos antecipados para os quais ainda falta maturidade.

Ao falar sobre homossexualidade, por exemplo, é importante separar a explicação de que existem pessoas com diferentes orientações sexuais da exposição a conteúdos sexuais explícitos. Esclarecer a diversidade entre lares e indivíduos não se confunde com instruir os menores à prática sexual. Tampouco há evidência científica de que simplesmente conhecer a existência da homossexualidade determine a orientação sexual de alguém.

Isso não elimina a necessidade de avaliar materiais pedagógicos. Os conteúdos devem ser adequados à idade, apresentados com clareza e discutidos com transparência entre educadores e responsáveis. É plenamente justificável que as famílias busquem acompanhar os conteúdos transmitidos aos jovens, cabendo às instituições de ensino demonstrar transparência na apresentação de suas diretrizes pedagógicas.

Também precisamos considerar os riscos de deixar crianças sem informação alguma. A falta de orientação pode dificultar o reconhecimento de abuso, de manipulação ou de comportamentos inadequados. A ausência de diálogo nem sempre é sinônimo de segurança; em muitos casos, acaba privando os mais novos dos recursos necessários para clamar por socorro.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, iniciativas pedagógicas de orientação sexual planejadas e alinhadas às etapas do desenvolvimento infantil não estimulam o comportamento sexual nem antecipam a sua estreia. As evidências indicam que podem ajudar jovens a tomar decisões mais seguras. Isso evidencia o quanto se faz necessário analisar o rigor do material transmitido, em vez de taxar toda orientação sexual como nociva ou validar de forma cega qualquer método aplicado.

A responsabilidade dos adultos é encontrar o equilíbrio: proteger a infância, respeitar o desenvolvimento, oferecer informações confiáveis e não transformar crianças em instrumentos de disputas ideológicas ou culturais.

Como sociedade, precisamos perguntar: estamos ensinando nossas crianças a compreender o mundo com segurança e maturidade, ou estamos deixando que conteúdos inadequados e informações sem contexto ocupem o espaço que deveria pertencer à orientação responsável?

Fonte: Organização Mundial da Saúde — Educação sexual abrangente.

4. Pornografia e a banalização dos relacionamentos

A internet tornou conteúdos pornográficos muito mais acessíveis, inclusive para adolescentes. Isso merece atenção porque a pornografia não é uma aula sobre relacionamentos: é um tipo de conteúdo produzido para provocar excitação, e suas cenas não representam necessariamente a realidade da intimidade, do afeto ou do consentimento.

Quando um jovem utiliza esse material como principal referência sobre sexo, pode formar expectativas distorcidas sobre o corpo, o comportamento e o que deve acontecer em uma relação. Pode também confundir encenação com realidade ou deixar de compreender a importância do diálogo, do respeito e dos limites de cada pessoa.

As pesquisas sobre pornografia e comportamento apresentam resultados variados. Não se pode afirmar que todo consumidor terá problemas emocionais ou relacionamentos ruins. Ainda assim, a exposição precoce, o consumo compulsivo e o contato com material violento ou degradante são motivos legítimos de preocupação.

Uma sociedade que trata qualquer conteúdo como inofensivo porque está disponível na internet corre o risco de esquecer que crianças e adolescentes ainda estão desenvolvendo sua compreensão sobre intimidade, respeito e responsabilidade.

A solução não está apenas em proibir ou envergonhar. É preciso orientar, proteger crianças, conversar sobre segurança digital e ensinar que ninguém deve ser pressionado a imitar comportamentos vistos em vídeos.

Que tipo de referência estamos oferecendo aos jovens para que construam relacionamentos baseados em respeito, confiança e responsabilidade?

Fonte para consulta: PubMed — Estudos sobre exposição de adolescentes à pornografia.

5. A sociedade que construímos começa nas pequenas decisões

Aborto, drogas, educação sexual e pornografia são temas diferentes, mas todos nos levam a uma questão comum: quais são as consequências das escolhas que fazemos e das mensagens que transmitimos às próximas gerações?

Uma sociedade não se torna mais justa simplesmente permitindo tudo, assim como não se torna mais segura condenando todas as pessoas que cometem erros. O desafio é reconhecer riscos, prevenir danos, acolher quem precisa de ajuda e estabelecer responsabilidades.

A família, a escola, os serviços de saúde e o poder público têm papéis importantes. Crianças precisam de proteção e orientação. Jovens precisam de oportunidades, informação confiável e adultos presentes. Pessoas com dependência precisam de tratamento. Mulheres em situações difíceis precisam de apoio e acesso a cuidados de saúde. Comunidades ameaçadas pelo tráfico precisam de segurança e alternativas concretas para seus jovens.

Também precisamos abandonar a ideia de que discutir consequências significa necessariamente julgar pessoas. É possível tratar alguém com dignidade e, ao mesmo tempo, reconhecer que uma decisão pode causar danos. É possível defender a liberdade e ainda perguntar se estamos preparando as pessoas para lidar com ela.

O risco está em transformar assuntos sérios em escolhas aparentemente banais, como se não houvesse nada a perder. Uma decisão pode afetar a saúde, uma família, uma criança, um relacionamento ou o futuro de uma comunidade. Por isso, informação, prevenção e responsabilidade precisam caminhar juntas.

Conclusão: que sociedade queremos deixar para nossos filhos?

Não podemos prever o futuro com exatidão, mas podemos observar os efeitos das nossas escolhas e aprender com eles. Quando ignoramos os riscos das drogas, deixamos jovens e famílias mais vulneráveis. Quando não prevenimos gestações não planejadas nem oferecemos apoio adequado, ampliamos o sofrimento de pessoas em situações difíceis. Quando falhamos em proteger crianças, deixamos que outros ocupem o lugar da orientação responsável.

A questão não é exigir que todos pensem da mesma maneira. É reconhecer que liberdade sem informação pode se transformar em risco, e que responsabilidade sem acolhimento pode se transformar em crueldade.

Precisamos de uma sociedade que valorize a vida, proteja a infância, leve a dependência a sério, combata a violência e não tenha medo de discutir consequências. Uma sociedade capaz de oferecer ajuda sem abandonar princípios e de defender princípios sem perder a humanidade.

Por isso, fica uma pergunta para todos nós: se continuarmos tratando decisões sérias como se fossem simples e sem consequências, que tipo de sociedade estaremos construindo — e que mundo deixaremos para nossos filhos?


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