Por Lorena Matos
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| Representação da evolução dos celulares, dos primeiros aparelhos portáteis aos smartphones atuais. Imagem criada por inteligência artificial. |
Mas o celular que conhecemos hoje não apareceu de repente.
Foram necessárias décadas de pesquisas, invenções e mudanças tecnológicas até que um telefone pudesse ser levado no bolso.
E uma das datas mais importantes dessa história é 3 de abril de 1973.
Antes do celular: quando o telefone precisava ficar parado
Para entender a história do celular, precisamos voltar algumas décadas.
Durante muito tempo, o telefone era um aparelho ligado fisicamente a uma rede. Para fazer uma ligação, era necessário estar próximo de um telefone instalado em uma casa, escritório ou estabelecimento.
A ideia de ter um telefone que pudesse acompanhar uma pessoa parecia muito distante.
Entretanto, os avanços na comunicação por rádio começaram a mudar esse cenário.
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939–1945), os militares já utilizavam equipamentos de comunicação sem fio, como o walkie-talkie, um rádio portátil que permitia a comunicação entre soldados mesmo quando estavam em movimento. Um dos modelos mais conhecidos foi o SCR-536, desenvolvido nos Estados Unidos e utilizado pelo Exército americano a partir de 1941.
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| SCR-536, rádio portátil utilizado pelo Exército dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Foto: Wikimedia Commons, domínio público. |
Essas tecnologias ajudaram a demonstrar que a comunicação por rádio poderia acompanhar uma pessoa, conceito que décadas mais tarde seria fundamental para o desenvolvimento dos telefones móveis.
1946: o telefone móvel começa a sair do papel
Um dos primeiros grandes passos aconteceu em 17 de junho de 1946, nos Estados Unidos.
Naquele ano foi demonstrado um serviço de telefone móvel instalado em automóveis. O equipamento, porém, estava muito longe de ser parecido com um celular moderno.
Os aparelhos eram enormes, pesavam cerca de 80 libras (aproximadamente 36 kg) e ocupavam boa parte do espaço do veículo.
Além disso, o serviço era limitado e utilizava uma infraestrutura bastante diferente das redes celulares atuais.
Em 1948, cerca de 5 mil pessoas já utilizavam esse tipo de serviço nos Estados Unidos.
Era um começo, mas ainda faltava algo fundamental: transformar o telefone móvel em um aparelho que uma pessoa pudesse carregar consigo.
1947: a ideia das "células"
Outro momento importante aconteceu em 1947.
Um engenheiro dos Bell Laboratories, Douglas H. Ring, descreveu em um documento uma ideia que seria fundamental para a telefonia celular.
A proposta era dividir uma região geográfica em pequenas áreas, chamadas de células.
Cada célula teria equipamentos responsáveis pela comunicação. Conforme uma pessoa se deslocasse, a conexão poderia passar de uma célula para outra.
Essa ideia ajudaria a permitir que muito mais pessoas utilizassem telefones móveis ao mesmo tempo.
É daí que vem o termo telefone celular.
Então, quem inventou o celular?
Quando falamos sobre quem inventou o celular, o nome mais conhecido é o do engenheiro americano Martin Cooper.
Cooper trabalhava na empresa Motorola e participou do desenvolvimento de um telefone móvel portátil.
Mas é importante fazer uma distinção: a história do celular não é obra de uma única pessoa.
Muitos pesquisadores, engenheiros e empresas contribuíram para que a tecnologia chegasse ao formato que conhecemos.
Martin Cooper, entretanto, ficou conhecido por realizar um dos momentos mais importantes dessa história: a primeira ligação pública feita com um telefone celular portátil.
3 de abril de 1973: a primeira ligação de um celular portátil
No dia 3 de abril de 1973, em Nova York, Martin Cooper realizou uma ligação usando um protótipo de telefone celular portátil.
Do outro lado da ligação estava Joel Engel, engenheiro que trabalhava em um programa concorrente de telefonia móvel.
Cooper estava utilizando um aparelho que posteriormente ficaria conhecido como DynaTAC.
A ligação foi um marco histórico porque demonstrava que era possível realizar uma chamada utilizando um telefone verdadeiramente portátil, sem que o aparelho precisasse estar instalado dentro de um carro.
Imagine a cena.
Em 1973, um homem caminhando pelas ruas de Manhattan segurava um telefone que parecia enorme para os padrões atuais.
Ele tinha uma antena, botões e uma bateria que estava muito longe da eficiência das baterias atuais.
Mesmo assim, aquele aparelho representava uma mudança gigantesca.
Como era o primeiro celular?
O protótipo utilizado por Martin Cooper era muito diferente de um celular atual.
O aparelho tinha aproximadamente 23 centímetros de altura e pesava cerca de 1,1 kg.
Além do tamanho e do peso, sua bateria também apresentava uma grande limitação.
Era necessário aproximadamente 10 horas para carregar completamente o aparelho, e o tempo de conversação ficava em torno de 35 minutos.
Hoje, quando estamos acostumados a aparelhos finos, leves e com baterias capazes de durar muitas horas, essas características parecem impressionantes.
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| Martin Cooper segurando o protótipo do celular desenvolvido em 1973. Foto: Rico Shen/Wikimedia Commons. |
Mas, para 1973, conseguir colocar toda aquela tecnologia em um aparelho portátil já era uma grande conquista.
1983: o celular chega ao público
A primeira ligação aconteceu em 1973, mas isso não significa que qualquer pessoa pudesse comprar um celular naquele momento.
Foram necessários aproximadamente 10 anos para que a tecnologia chegasse ao mercado comercial.
Em 1983, o telefone celular portátil começou a ser comercializado nos Estados Unidos.
O aparelho custava cerca de US$ 3.500 na época, um valor extremamente alto para a maioria das pessoas.
Por isso, durante muitos anos, o celular foi considerado um produto de luxo.
Era comum associá-lo a executivos, empresários e pessoas que precisavam estar disponíveis enquanto estavam fora do escritório.
Os celulares começam a ficar menores
Durante as décadas de 1980 e 1990, os celulares passaram por uma transformação importante.
Os aparelhos começaram a ficar menores, mais leves e mais acessíveis.
As baterias também melhoraram.
A tecnologia avançou e os telefones deixaram de ser apenas ferramentas para realizar ligações.
Alguns aparelhos passaram a oferecer recursos como agenda de contatos, relógio, calculadora, jogos e, posteriormente, mensagens de texto.
Na década de 1990, o celular começou a deixar de ser um equipamento exclusivamente profissional e passou a fazer parte da vida de um número cada vez maior de consumidores.
Em 1990, por exemplo, os Estados Unidos já tinham atingido a marca de aproximadamente 1 milhão de usuários de celulares.
A chegada das mensagens de texto
Outra mudança importante foi a popularização das mensagens de texto.
O celular deixou de ser apenas um aparelho para conversar por voz.
As pessoas passaram a enviar pequenas mensagens escritas, o que mudou novamente a maneira como nos comunicávamos.
Durante os anos 1990 e início dos anos 2000, o envio de mensagens de texto se tornou cada vez mais popular.
Os aparelhos também começaram a incorporar câmeras, acesso a dados e outras funções.
Anos 2000: o celular se torna popular
Durante os anos 2000, os celulares ficaram menores, mais acessíveis e passaram a incorporar recursos como câmeras, música, jogos e acesso à internet.
O aparelho começou a deixar de ser apenas um telefone e passou a reunir diversas funções em um único dispositivo.
2007: começa uma nova era
Em 2007, a apresentação do iPhone ajudou a popularizar uma nova geração de celulares: os smartphones.
A combinação de telefone, internet, música, câmera e tela sensível ao toque mudou a maneira como as pessoas utilizavam esses aparelhos.
Em 2008, a chegada de uma loja de aplicativos ampliou ainda mais suas possibilidades.
A evolução das redes móveis
A evolução dos celulares também acompanhou o desenvolvimento das redes.
A 1G trouxe a telefonia móvel analógica. A 2G ajudou a popularizar as mensagens de texto e os serviços digitais. A 3G tornou a internet móvel mais prática, enquanto a 4G aumentou a velocidade das conexões. Depois, a 5G trouxe maior velocidade e menor latência.
O celular na atualidade
Com o passar dos anos, o celular passou a reunir funções que antes dependiam de vários equipamentos.
Hoje, um smartphone pode ser usado para comunicação, fotografia, vídeo, navegação, música, trabalho, pagamentos, informação e entretenimento.
Conclusão
A história do celular é resultado de décadas de evolução.
Em 1946, a telefonia móvel ainda dependia de equipamentos instalados em automóveis. Em 1973, Martin Cooper realizou a primeira ligação pública com um telefone celular portátil. Em 1983, o celular chegou ao mercado comercial e, nas décadas seguintes, os aparelhos ficaram menores, mais acessíveis e mais avançados.
A partir dos anos 2000, os celulares passaram a incorporar cada vez mais funções e, com a popularização dos smartphones, tornaram-se parte do cotidiano.
O que começou como uma tecnologia pesada e limitada transformou-se em um aparelho que cabe na palma da mão e reúne comunicação, informação, trabalho e entretenimento.


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